terça-feira, 28 de setembro de 2010

Reservas


Você se arruma como para qualquer outro dia.

Quer estar bonita porque se sente bem assim e para garantir alguns elogios ao longo da noite.

Não se importa em passar batom já que o mesmo irá embora no primeiro copo de cerveja.

Sai de casa despretenciosamente.

Desde a última vez em que se levantou a diversão é a única parceira certa. O resto passa despercebido.

No caminho reza para não dar de cara com o passado no local.

Ao adentrar olha ao redor, faz um reconhecimento rápido e pára estrategicamente perto da banda. Alguns rapazes olham, mexem, fazem gracinha. Iniciativa não é o forte atualmente.

Um chama a atenção, mas nada que lhe prenda.

Numa ida ao bar, abre-se uma oportunidade para uma aproximação esperada.

Muitas cantadas e muitas risadas depois, o beijo.

Você volta para casa com uma sensação boa, mas sem novidade.

Na verdade, a cautela é sua companheira e você já não sonha mais.

Aproximar-se da realidade não é uma coisa ruim, porque fica mais fácil aceitar os fatos.

Um novo jogo se inicia e desta vez é você quem movimenta as peças.

Não porque cria fantoches, mas porque suas reservas estão altas demais.

Os seres humanos são previsíveis e mesmo assim você ainda se surpreende.

Por que não?


"Maybe I know, somewhere

Deep in my soul


That love never lasts


And we've got to find other ways


To make it alone


Or keep a straight face".

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